sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A alternativa presidenciável para o Brasil

Por mais que agora tenha um discurso de que "de nada muda pra mim", Lula ainda vai ter muitos problemas com a provável candidatura de Marina Silva, pelo Partido Verde (PV). (Charge: Miguel/JC)

1º de janeiro de 2003. Luis Inácio Lula da Silva toma posse da presidência da República do Brasil, em Brasília. Alguns meses antes, a maioria da população brasileira elegia o ex-metalúrgico ao cargo, pois estava cansada de uma política neoliberal e elitista que visava beneficiar intensivamente os mais ricos. Com Lula no poder, a sociedade passou a acreditar que o Brasil passaria por uma grande reforma, e o PT, partido que sempre pregara a ética no governo, conseguiria transformar de fato a realidade política do país.

Sete anos depois, vemos um presidente blindado por sua popularidade, alcançada por se mostrar sempre ao lado dos menos favorecidos. No entanto, algumas informações mancharam a imagem do presidente, e mais ainda a do PT, como os escândalos do Mensalão, CPI da Petrobrás, crise do Senado... E a demissão de Marina Silva do ministério de Meio Ambiente, em maio de 2008.

Tais situações trouxeram reflexões à sociedade, numa comparação, quanto à corrupção ao atual governo com governos passados. No fim das contas, nenhum foi melhor do que o outro, interesses políticos falaram mais alto do que a ética e o PT se mostrou como um partido forte, mas incoerente.

Marina Silva está no PT há 30 anos, e tem uma projeção política parecida com a do então presidente da república. Nascida no Acre, numa família pobre de seringueiros, lutou para conquistar a autonomia e desenvolvimento de seu povo, além de se mostrar bastante preocupada com políticas de desenvolvimento sustentável para o seu país. Atualmente, é senadora do Acre.

Enquanto esteve no ministério de Meio Ambiente, não “abriu” para interesses empresariais do agronegócio, nem para a poderosa ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mostrou-se firme com seus ideiais e não foi incoerente com o que pregava. Ela dizia há exatos dois anos: “A equação está se invertendo. Não é o desenvolvimento que precisa fazer algo pelo meio ambiente. Os ambientalistas estão trabalhando pelo desenvolvimento. Se não for assim, não haverá desenvolvimento. Em um país com a realidade do Brasil, 50% do Produto Interno Bruto dependem de nossa biodiversidade. Na visão dos desenvolvimentistas, isso não é importante. Mas destrua a biodiversidade e verifique o que vai acontecer com 50% do PIB”.

Em uma era onde o mundo clama por novas medidas para controlar o aquecimento global, tendo o Brasil como um dos principais protagonistas para mudar tal quadro, surge a possibilidade de Marina sair do PT e filiar-se ao PV, visando candidatar-se à presidência da república.

Além da política do desenvolvimento sustentável, Marina dá um ânimo a mais nas eleições de 2010. De um lado, temos José Serra (ou, pouco possivelmente, Aécio Neves), que se mostra como uma continuidade do governo FHC. De outro, temos Dilma Rousseff, continuidade do então governo Lula. A “novidade” ficaria com Ciro, ou Heloísa Helena, que de nada acrescentariam no debate político. Marina surge como uma alternativa. Aquela velha alternativa pregada pelo neto de Tancredo Neves, do pós-lulismo.

A ex-ministra é respeitada em todo o mundo, por sua política, e tem ganhado mais adeptos pelo Brasil, descontentes com a atual e a ex-gestão. Em pesquisas realizadas pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), Marina já aparece na frente da candidata petista.

Apesar da senadora do Acre ainda não ter um discurso amplo, é bom que Lula nem seus aliados subestimem o povo brasileiro e achem que popularidade ganha eleição. Depois desse debate sobre a crise no Senado, e com futuros bombardeios da oposição, a opinião pública tem mudado e irá mudar muito. No fim das contas, Marina será vista como a mesma alternativa de mudança que Lula foi, quando eleito em 2002.

E quem sabe se no dia 1º de janeiro de 2011 a gente não vai ver uma mulher tomando posse em Brasília... Uma "Silva", como Lula.

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