terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

EUELALEU

Os fatos que se ligam fazem tudo ficar claro, como um feixe de luz.
Num destes capítulos do tempo, nos cruzamos.
Eu lembro bem. Apesar disso, não tenho condições de contar o que sei.
Porque simplesmente não tenho memórias.
Uma espécie de Déjà Vu de uma história de que não há provas que foi vivida.
Mas aconteceu. Eu vi.
"Como pode haver luz nas trevas?", pergunta uma encantadora mulher, provocando-me.
E eu respondo que há coisas que não se respondem. Ou melhor. Não se explicam.
Ela sabe disso. E não há escuridão de verdade.
As trevas deixamos para trás, naqueles trechos tensos da biografia que será escrita
Porque igual a aquele capítulo que te vi, naquele passado que não se sabe
Feito maripousa segui a claridade e cheguei até aqui com ar de passarinho
Explosão de euforia. Daquele que treme a perna.
E o que fica óbvio, neste conto todo, abre mão de mais dizeres
Novamente, num cruzamento, seguindo a ordem das coisas da vida, nos cruzamos
Para a história, nossa história, enfim, ter seu começo com as bençãos do destino.

sábado, 21 de agosto de 2010

Abelhinha

Eu sempre soube, desde pequena
Na primeira vez que te vi, tão bela
E na primeira vez que em ti pousei
E tive a prova, uma certeza óbvia
Na hora e agora
Que é tu que tens, sempre
Meu mel.
Minha flor.

Marcus Fernandes

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Música como matéria para alunos da rede pública

Ponto de Cultura da Bomba do Hemetério oferece aulas gratuitas para estudantes da Escola Sizenando Silveira (IEP). A proposta é formar, ao final, um grande coral com os jovens.

Dotada de uma grande importância artística, a música é determinante na construção social de um indivíduo, pois consegue chegar aonde outros métodos educacionais não conseguem. Segundo o filósofo Sócrates, se conhece uma sociedade pela música que ela consome. Com essa consciência, desde o início de agosto o Ponto de Cultura da Bomba do Hemetério, a Escola Comunitária de Música da Bomba do Hemetério (ECOM), através do Maestro Gil, está oferecendo aulas de música para alunos da Escola Estadual Sinezando Silveira (IEP), localizada na av. Cruz Cabugá, Santo Amaro. O objetivo da proposta é alimentar a sensibilidade musical no ambiente escolar e promover a educação musical dos jovens numa perspectiva interdisciplinar. Ao fim das aulas, será formado um grande coral composto pelos estudantes, que se apresentarão no mês de setembro.

A ideia de dar aula de música para alunos da rede pública é uma contrapartida da ECOM a uma verba destinada pelo Governo Federal, através do Ministério de Cultura, a Pontos de Cultura de todo o país. O incentivo financeiro é repassado ao Governo do Estado, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), e entregue à instituição. O projeto se justifica a partir da lei 11.769, sancionada pelo presidente Lula, em agosto de 2008, que obriga, até 2011, que todas as escolas públicas passem a ensinar música como uma matéria interdisciplinar nos cursos de formação básica.

Com o repasse, a Escola Comunitária de Música iria realizar uma apresentação para os estudantes da escola estadual, mas o Maestro Gil, coordenador pedagógico da ECOM, preferiu ensinar a garotada conceitos básicos de música, formando, no fim da aula, um coral de vozes. “O que é Música?”, pergunta o maestro a um dos alunos na sala de aula. “Música é a arte de combinar sons”, responde, numa simplicidade que deixa o estudante bem à vontade. E é desse jeito que ele vai conceituando ritmo, melodia, harmonia, até fazer, em menos de meia hora, uma sala inteira aprender e se descontrair sobre o tema. Ao todo, são 15 turmas pela manhã e 15 turmas pela tarde, totalizando 600 alunos envolvidos em todo o processo.

No entanto, a metodologia do Plano de Trabalho entregue à Fundarpe é formada, na verdade, por quatro tópicos: Conceitos musicais, uso da voz como instrumento, salas cantando ao mesmo tempo e momento antiestresse para os professores – este último trata-se de encontros que ocorrerão ao final de cada turno com todos os professores, numa espécie de prática de meditação. “Esta iniciativa surgiu com o intuito de somar esforços para promoção da cultura de paz e fazer com que a juventude valorize e entenda o poder transformador da música no seu cotidiano”, comentou o Maestro Gil. A ideia é que o projeto seja espalhado por todo o estado.

Escola Comunitária de Música da Bomba do Hemetério – Aprovada no edital dos Pontos de Cultura da Fundarpe em 2008, a escola atende em média 60 pessoas, com aulas semanais as terças e quintas-feiras. A Escola oferece também aulas de iniciação musical e ainda oficinas de teatro, clube de leitura, danças circulares e culinária natural, voltada às mães da comunidade. A ECOM também tem como fruto a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (OPBH), conduzida pelo irmão do Maestro Gil, o Maestro Forró. Desde 2002, a OPBH desenvolve um trabalho social de formação em música com foco nas crianças, adolescentes e jovens da comunidade.

Escola Comunitária de Música da Bomba do Hemetério
sede da escola – rua Pastor Benoby, 173-A, Bomba do Hemetério, Recife.

Contatos: http://www.myspace.com/ovbh - Orquestra Vocal
http://www.opbh.com.br/ ---- Orquestra Popular da Bomba do Hemetério
givanildo.amancio@gmail.com _ Maestro Gil

(FOTO: Divulgação)

http://www.revistaclickrec.com/index.php?option=com_content&view=article&id=535:musica-como-materia-para-alunos-da-rede-publica&catid=45:noticiasatualizar&Itemid=113


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O fogo encantado jamais apagará


Ontem, dia 24 de fevereiro de 2010, um fato na cena artística de Pernambuco me deixou em choque. Depois de 14 anos de estrada (três como peça teatral e 11 como banda), Lirinha saiu do Cordel do Fogo Encantando, alegando precisar se dedicar mais aos seus projetos, como se fosse uma “necessidade vital”. A peça Mercadorias e Futuro colhe até hoje os elogios da crítica nacional. Mas, a banda encerra um ciclo com um jeito bem estranho e duvidoso. Eles estavam gravando o seu quarto disco, intitulado de Brevíssimo Estudo Sobre a Interlândia. Lirinha, durantes suas apresentações, não dava sinais de que sairia da banda.

Agora surgem inúmeras especulações sobre o real motivo do fim do grupo. Enquanto isso, eu só penso em todos os shows que eu fui, e como cada um deles tem uma relação muito forte com épocas da minha vida.

O meu primeiro show foi em 2004, no Festival de Verão do Recife. O primeiro contato foi estranho. Eu era muito novo e tinha ido ao festival ver outras atrações, mas Cordel do Fogo Encantado me seduziu, mesmo eu dizendo a todo mundo depois que havia achado todo o show um saco.

Depois disso, só fui assistir show deles em 2006, num festival que teve em Recife. A banda ainda não tinha lançado seu terceiro disco e também não tinha chamado tanta atenção do público. Assisti como atenção, pela primeira vez, toda a encenação de Lirinha nas músicas “O Palhaço do Circo Sem Futuro” e “Antes dos Mouros”. Me encantei com a melodia suave do violão de Cleiton Barros e os tambores de Rafael Almeida, Emerson Calado e Nego Henrique. Ali, naquele momento, foi quando eu tive a percepção de que aquilo era um grupo perfeito. Não sei se foi pela magia do dia, do momento, pois foi uma época em que eu descobria o amor. Só sei que depois daquele dia, meu mundo mudou.

Teve um show histórico também no dia 25 de dezembro de 2006. O Marco Zero estava lotado. No outro dia eu tinha prova final na faculdade, mas eu não podia deixar de ver os encantados. Nos tempos mais antigos, eu assistia SEMPRE aos shows de cordel ao lado de uma pessoa, como se fosse um pacto. Era mais mágico ainda. Enfim, nesse dia eu fui pra o show e de lá fui direto fazer a prova. Resultado: passei de ano com média nove. hehehe

Me lembro de uma apresentação no Clube Português, no começo de 2007. Naquele dia, eu assistia ao melhor show da minha vida. Fiquei bem uns dois meses pensando no evento. A casa tava cheia, lirinha mais empolgado do que nunca e era lançamento do terceiro CD deles, o Transfiguração. Mais um dia encantado.

Nesse mesmo ano, já no final, enquanto eu passava por chatos problemas pessoais, eles anunciaram um show em Maracaípe, litoral sul de Pernambuco. Ter ido pra esse show foi INESQUECÍVEL. Havia 100 pessoas no local, eu estava há 30 cm do palco e, apesar do pouco público, Lirinha e Cia fizeram um espetáculo bonito, marcante. Ainda me lembro dele cantando “Na Veia” e eu desesperado tentando encontrar uma pessoa que tava próxima de mim no momento, cantando em uníssono: “Eu vou cantar pra saudade descer na minha cabeça, e comandar sua festa!”.

Em 2008 eu vi pela primeira vez a apresentação da peça teatral de Lirinha, chamada Mercadorias e Futuro. A peça é um monólogo de um vendedor de tudo, chamado Lirovisk. Muito interessante, muito engraçada. Não é à toa o reconhecimento da crítica nacional.

Nesse ano também rolou o PE Music Festival... Nesse momento, coincidentemente, eu estava meio mal por causa da mesma pessoa do último show. E naquele momento, o som dos encantados se mostrou para mim como uma alternativa de fuga ou de relaxamento, muito mais prazerosa do que qualquer substância ilícita o lícita. Percebi que estava na hora de romper o pacto. Eu sempre ficava em transe assistindo ao show deles. E, este dia, apesar de não ter sido o melhor show deles para mim, também ficou marcado na minha história.

O MELHOR SHOW DE CORDEL DO FOGO ENCANTADO DE TODOS OS TEMPOS, para mim, foi naquele memorável Ano Novo de 2009. Eu precisava iniciar 2009 MUITO BEM. Era uma questão de sobrevivência. Acho que naquela época eu passava pela situação mais amargurada da minha vida. Mas, graças ao cientista Hoffman (deixo subentendido), eu pude atravessar dimensões e entrar na música dos encantados. Me lembro muito bem disso. Eu realmente estava sentindo a sensação de estar dentro da música. E 2009 foi o melhor ano de minha vida!
Depois desse show, uns 20 dias depois, pude assistir ao show dos encantados no Pelourinho - Salvador. No início do ano passado rolou a Bienal da UNE, e uma das atrações principais era arcoverdense. Ver Lirinha e Cia nas ladeiras da Bahia, do lado de estudantes de todos os cantos do Brasil, foi muito legal.

Ainda teve um show no Carnaval, comemorando os 10 anos da banda. O espaço do RecBeat, na frente do Paço Alfândega, estava completamente lotado. Todo mundo tinha ido ver Cordel do Fogo Encantado. Naquele dia, eles já começaram a mostrar a formação nova (entrou um trompetista e um baixista).

Depois disso, eles ficaram um ano sumidos. Com o perdão da palavra, foi foda. Nem sinal dos caras, só o boato de um disco novo.

Aí veio 2010. Outra vida, outra dinâmica. Juro como não estava ansioso pelo show deles no Marco Zero. Assisti, me encantei, mas não foi a mesma coisa de antes. Apesar de eles terem tocado diversas músicas novas, e do público estar em total conexão com o grupo, faltava algo. O sentimento do show do Ano Novo de 2009 ainda pairava sobre a minha cabeça.

O melhor feito do meu Carnaval 2010 foi ter chutado o pau da barraca e ter ido com Natasha para Itamaracá, junto com um amigo. Na praça do Pilar, o Cordel faria um show. Era o início de um novo pacto. Dr. Hoffman surgia novamente. Tudo dava certo. Apesar de ter iniciado com problemas no som, o show foi DEMAIS. Ainda não consigo assimilar na cabeça que tive a oportunidade de ir para o ultimo espetáculo deles. Eu iria ficar muito amargurado se não tivesse tido essa oportunidade. Dessa vez, em Itamaracá, o público local não era o de Cordel (parecia mais que as pessoas esperavam um ‘Parangolé’ entrar). A cidade estava imunda, jogada aos ratos e baratas. Mas o pacto estava feito, e Dr. Hoffman surge novamente, como no Ano Novo. Foi um show e uma energia ÚNICA!

Ainda sim, fico triste pelo fim do grupo. Queria conversar com Lirinha ou com alguém da banda e tirar alguma frase sincera. O que realmente aconteceu? Por que Lirinha abandona o barco no meio de uma gravação de um CD para se dedicar á carreira solo? Muito estranho.

Finalizo meu texto com uma frase do líder encantado:

“Com a certeza de que o fogo da nossa poesia e da nossa música nunca se apagará e que nossa força é infinita”, Lirinha.


Mais informações sobre o fim da banda no site www.revistaclickrec.com