Atenção, estamos falando de um direito seu!Por mais que o Brasil acredite veemente que vive numa democracia, existem certos direitos constitucionais que não são respeitados pelo próprio Estado. A garantia dos direitos básicos não acontece no nosso país, e isso não é nenhuma novidade. Dentre eles, um destaque para a comunicação.
Quando o líder argentino, Che Guevara, dizia que “la comunicación es un derecho que garantiza el ejercicio de otros derechos”, ele não estava errado. Sem informação e sem acúmulo de debate, o indivíduo se torna uma presa fácil de ser manipulado por alguém que tenha informação ou acúmulo de debate. Um exemplo desta teoria é a Igreja Católica Apostólica Romana, que, durante a idade média, mantinha sob total sigilo as informações e documentos existentes, deixando a população desinformada e controlada.
Atualmente, depois de seis anos à frente da presidência da República do Brasil, o então “guerreiro do povo brasileiro”, Luis Inácio Lula da Silva, decretou no último mês de março a realização da I Conferência da Comunicação no Brasil (Confecom), evento solicitado pelos movimentos sociais durante anos, que terá como tema a Democratização dos Meios de Comunicação e que acontecerá nos dias 2, 3 e 4 de dezembro deste ano, em Brasília.
A mídia brasileira, totalmente desinteressada neste evento, está fazendo o trabalho de esconder a realização da Confecom da população. Até hoje, mesmo com uma mobilização nacional para que o evento aconteça, pouco se vê sobre o assunto nos jornais e revistas brasileiras.
Em solos tupiniquins, a comunicação é explorada pela iniciativa privada, e esta realidade se engessou dentro do Estado, perdurando até os dias atuais. Uma prática comum que acontece deste o tempo em que fomos descobertos. De 1500 d.c., quando Cabral avistou aquelas belas índias nuas pela primeira vez, até os dias atuais, somos explorados na maior cara de pau por todo mundo.
A maioria da população, totalmente acomodada, não tem consciência de que ter acesso à produção na mídia é um direito.
Acredito que para uma sociedade socialista, onde todos os cidadãos tenham os mesmo direitos e as mesmas condições de vida, é necessário que a democracia dentro da comunicação exista. Que todos os setores da sociedade possam se expressar e dizer o que pensam, e não somente uma classe dominante, que diz o que quer e o que quer que acreditem que seja verdade.
Este debate está apenas começando no Brasil, e, obviamente está causando a maior movimentação negativa por parte do empresariado do setor.
Para complicar mais ainda, a maioria da bancada do Senado Federal, responsável pelo controle das nossas concessões públicas, possui algum empreendimento na área da comunicação, além de contribuir para que os interesses da classe empresarial sejam atendidos. Nós, cidadãos, que temos o direito de debater sobre a democratização da mídia, estamos deparados com um grupo empresarial, elegido por nós mesmos, que está empenhado em vetar a discussão sobre o tema.
Os movimentos sociais estão lutando para mobilizar a sociedade para o debate, mas os empresários estão colocando obstáculos em tudo. Até porque não é de interesse deles que a comunicação, como um direito constitucional, seja discutida com a sociedade. Eles teriam muita perda de dinheiro e poder. Ter informação é ter poder encima de quem é desinformado.
No entanto, o maior inimigo para a mobilização do povo não é o empresário, ou o senador corrupto. O maior inimigo na luta pela democratização dos meios de comunicação, na verdade, é o próprio povo. Acomodado, ele não tem interesse no assunto. E para piorar, os movimentos sociais adotam, atualmente, uma prática diferente dos “anos dourados”, onde a movimentação corpo a corpo acontecia paralelamente com o debate político. Hoje, o debate é infinitamente maior do que a movimentação, e está na hora desta realidade ser alterada.
Mesmo sendo comandado por um governo que diz lutar pela democracia de seu povo, o brasileiro viu um de seus direitos mais importantes ser desprezado durante os últimos anos. Além de ter sido o governo que mais fechou rádios comunitárias, ele colocou um empresário da mídia no ministério das Comunicações, consolidando um ciclo que se perdura há décadas.
Apesar do número de empresários não se comparar com o número de pessoas envolvidas com movimentos sociais, o Governo Federal disponibilizou 40% dos delegados da Confecom para os donos da mídia. Sabe-se que 40% não representa a maioria, mas diante de um movimento social totalmente desorganizado, eles saem na frente.
Com a Confecom, vemos uma oportunidade de mudança no quadro que vivemos. É importante que todo e qualquer cidadão, seja qual for a sua classe ou formação intelectual, esteja informado e por dentro do assunto. Por isso, converse sobre o assunto com seus amigos, parentes e conhecidos. O debate deve ser levado para toda a sociedade.
Caso contrário ou se preferir, desligue a TV e vá assistir seu programinha favorito na Rede Globo Television.

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